quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Psicanalista entre o Mestre e o Pedagogo

Diana S. Rabinovich

1. Em seu seminário O avesso da psicanálise, Lacan (1969-70) introduz a sua teorização sobre os quatro discursos.

2. Lacan reivindica - frente a uma teoria do discurso que domina as ciências chamadas “humanas” para as quais este é o produto de um sujeito centro, de um sujeito pleno, unitário - a primazia da cadeia significante, cadeia que se desloca além de qualquer sujeito voluntário, consciente, e cuja articulação produz o discurso.

3. O discurso é um modo de uso da linguagem como vínculo. Só há vínculo social naquilo que se designa como discurso, vínculo possível apenas entre seres que falam, os “falasser” – [parlêtres] (Lacan,1971). O discurso não se funda então no sujeito, mas na estrutura da linguagem, e por fim, na [estrutura] do significante.

4. A psicanálise descobre um sujeito cindido, sujeito atravessado pelo desejo e pelo gozo: o sujeito do inconsciente. O inconsciente, nos diz Lacan, está estruturado como uma linguagem, linguagem que se chamará “Falíngua”, diferente de “alíngua”, linguagem atravessada pelo desejo, o gozo e o impossível da sexualidade e da morte (Cf. Miller, J-A 1977).

5. O discurso não é, pois, realidade primeira a ser interpretada em seu sentido, mas efeito da cadeia significante.

6. Lacan continua assim a sua tarefa incessante de descentramento, a sua crítica ao todo, ao centro, à esfera. O movimento dos seminários reintroduz a falta, a descontinuidade, a não complementariedade, a hiância..., torna inútil toda restauração de um centro. O discurso concebido como produto da articulação significante é um discurso sem palavras, que, como tal, gera palavras; é um discurso sem sentido que gera a própria proliferação do sentido.

7. Os quatro discursos são quatro configurações significantes que se diferenciam e se especificam por sua distribuição espacial. Quatro postos fixos, quatro significantes que rodam nesses mesmos postos e que determinam, na sua rotação, a emergência da própria trama discursiva.

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